quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O QUE ACONTECEU????

 Tentei retomar o blog em 2020 e até achei que daria conta, mas a pandemia, o isolamento, as perseguições no trabalho, as reuniões online intermináveis, a perda de 1/3 do salário, o stress e não sei mais o que foi minando minhas forças de tal maneira que desisti "um pouco" de tudo.
Estou aqui para mais uma tentativa de retomar minha vida e meus pensamentos. Pensamentos que mudaram tanto que nem de longe sou a mesma pessoa. Tenho novas certezas e novas dúvidas. 
No trabalho assumi, meio que naturalmente, um posição de liderança para manter nossos empregos e direitos, comprei brigas coletivas que nem sempre foram bem interpretadas.
Me arrependo? 
Nunca!
Fiz aquilo que minha consciência indicava, defendendo quem me apoiava e quem me atacava.
Por que sou boazinha?
Não!
Mas porque acredito que todos merecem respeito e não é correto que um grupo que se ache superior tente diminuir, humilhar ou destruir o grupo considerado inferior. Termos apenas indicativos de uma sociedade doente e mesquinha. 
O passado construído com certeza tem seus erros mas as atitudes sempre estarão em consonância com seu tempo e seu contexto social, histórico e humano. Cada um faz o que pode com os recursos que lhe estão disponíveis no momento, especialmente professores. Desconstruir um passado para se vangloriar do presente que você participa e no mínimo patético, uma leitura anacrônica daquilo que você não viveu e portanto não pode condenar imediatamente.
A pandemia e o isolamento social me mostrou a mesquinhez e a arrogância de uma pseudo elite acadêmica, como também me mostrou como aquele que esta submetido se amedronta diante do poder e se converte.
Os medos são reais, não questiono isso. Mas até onde devemos ceder nossa integridade por eles.

 



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

MULHERES E SEUS PACTOS

Nunca critiquei minha mãe sobre minha criação, muito pelo contrário. Aqui mesmo, no Blog, sempre elogiei sua força,  a liberdade que deu à minhas escolhas e como respeitou cada uma delas. Mas hoje tenho uma crítica, uma reflexão.
Aqui em casa somos 3 mulheres ( Eu, mãe e irmã) e sempre fomos nós 3 até quando havia meu pai. Sempre planejamos juntas, tomamos decisões juntas, dividimos tudo: problemas, medos, dúvidas, dívidas, decisões, tudo; sem que isso tirasse de cada uma sua liberdade de escolha. As vezes, só o que rolava era e é o apoio, até mesmo para fazer merda.
Um PACTO de lealdade, de respeito, de amor.
O problema (sim, existe um problema) é que esse pacto criou em mim a falsa ilusão de que esse era o modelo ideal de convivência. O meu modelo de uma relação de companheirismo onde tudo se fala, tudo se dividi, tudo se compartilha. Ledo engano! Esse é o modelo da minha família. É assim que nós somos. 
Busquei em outras relações de amizade e amorosas construir esse pacto e não consegui, porque essa era minha visão de mundo e de mais ninguém. Não sou melhor que ninguém por causa disso, apenas cresci nesse modelo de ajuda mútua. Onde ser sincera foi o máxima.
Me lembro de contar pra minha mãe quando deixei de ser virgem como se contasse de ter ido ao cinema; não tive medo, vergonha, receio, porque sabia que seria acolhida e ela sabia que eu tinha escutado todos os seus conselhos sobre prevenção e respeito próprio. Sempre foi assim para tudo. 
Nas relações amorosas gostaria muito de encontrar um companheiro ao invés de um marido. (Não preciso de marido!) Um companheiro de vida, pra dividir tudo: anseios, projetos, dúvidas, dívidas, sonhos, sem que cada um perdesse sua identidade. Mas enquanto eu sabia que isso era possível, o outro se achava invadido, criticado, roubado em suas escolhas. Tudo bem! Dói, mas sobrevivesse! A questão é que contínuo sem precisar de um marido! 
Não sei se é possível um PACTO de lealdade, respeito e amor com um homem! Não sei se é possível um PACTO de companheirismo entre os sexos! Não sei se existe um casamento assim! 
Na minha família há laços muito maiores que o amor.
Somos mulheres! Somos bruxas! 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

MULHERES ( e homens) QUE DETESTAM A VERDADE

Eu acho hilário alguns comentários das redes sociais referente a verdade. Em sua maioria o que se lê é que as pessoas que dizem a verdade ou são sinceras são mal educadas, são agressivas, etc. Que sinceridade demais pode vir travestida de ataques ao direito do outro, blá blá blá... 
Se a verdade incomoda tanto, o que as pessoas desejam é a mentira? A mentira doce que vem disfarçada mas que açúcara o ego de quem escuta. A mentira que satisfaz suas necessidades, que embasa seus pensamentos, seus argumentos. Que não fragiliza suas verdades rasas. 
Desculpem, mas eu prefiro a verdade que me machuca mais que me põe diante da realidade de atitudes, dos sentimentos, das ações, da vida real. Não quero perder meu tempo construindo e desconstruindo impressões.
Uns dos meus lemas de vida (Esse é o mesmo a décadas) é que falo a verdade por que mentir dá muito trabalho. Preciso ficar lembrando o que disse e como disse para cada pessoa que cruzar. Ficar atenta para não cair em contradição. Isso é um saco! Mando logo a verdade e fico livre. Por que falar a verdade é libertador!
Ah se os mentirosos soubessem disso.
A verdade é libertadora em si mesma, ela não te condena, não te pune, não te diminue... Por pior que ela seja.
Mas os mentirosos - alguns são crônicos - temem a verdade por que temem o julgamento. Outros temem a verdade simplesmente por que não querem ser contrariados. 
Existe a mentira necessária? Algumas pessoas defendem que sim.
Porque  contar a verdade sobre uma doença terminal de um marido à esposa, quando estão juntos a 50 anos e o sofrimento vai ser perigoso? Porque contar a mãe que fumou seu primeiro cigarro de maconha, se foi o primeiro e último? Porque contar que você ficou no bar com os amigos ao invés do trabalho para esposa que ficou em casa cuidando dos filhos? Poucos exemplos para se evitar um mal maior?
Seria, se a mentira não tivesse pernas curtas, como diz o ditado. Nenhuma mentira que envolve outra (s) pessoa (s) está protegida. E a descoberta da mentira é mil vezes pior que a própria mentira.
Porque é TRAIÇÃO. Traição de confiança, traição de responsabilidade, de relação, de atitude. E o traidor é, geralmente, egoísta. Ele se relaciona consigo, com seus desejos, com suas necessidade, suas conveniências.
Eu digo a verdade, é sei que a verdade nem sempre é fácil. Mais facilitar a vida de quem amamos enganando-as não dá pra mim.


domingo, 12 de janeiro de 2020

MULHERES QUE PERDOAM

Analisando o perdão diante das palavras de Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé.
Programa Roda Viva, TV Cultura, 17/12/19

Primeiro: perdoar quem não quer ser perdoado é inútil , não porque você está certo e o outro errado ou vice versa, mas por que simplesmente o outro não julga que tenhamos nada do que perdoa-lo. Então surge o dilema da arrogância que pressupõe que quem perdoa se julga certo em relação ao outro desconsiderando toda a vivência, toda a experiência e consciência do outro.

Segundo: aquele que perdoa teria portanto o poder. É aquele que detém a verdade, a honradez daquele que perdoa. Mas aquele que não entende o perdão não é o vilão, apenas uma pessoa que vive de acordo com seus princípios. Princípios esses que fazem sentido para si mesmo, ainda que não para o outro. E se um dos dois (relacionamentos diversos) precisa viver perdoando a pergunta a se fazer é por que quem perdoa permanece na relação se julga, condena e absolve o outro o tempo todo?

Terceiro: caminhando dentro dessa análise se uma das partes se entende culpado e recebe o perdão é um grande ato de libertação. Você entender que fez muito mal a alguém e esse alguém foi capaz de perdoar e dizer "tá tudo bem" é muito importante, ainda mais se aquele que errou conseguir empaticamente se colocar na posição do outro e enxergar o alcance do ato de perdoar diante do que fez. Nesse sentido é um ato libertador para ambos.

Perdoar não é fácil em nenhum nível, por que não basta simplesmente proferir o perdão. Antes você precisa digerir a dor, absorver como o erro do outro te atingiu - pode ser uma calúnia, uma traição, uma mentira, o descumprimento de uma promessa, uma falta, etc - e depois você precisa transformar a decepção em entendimento. Aquele que perdoa é um ser empático, que consegue se  colocar no lugar do outro para tentar entender a atitude, a falha, a falta. Ele consegue ouvir.
Hoje em dia quem perdoa é chamado de idiota, mas concordo com Karnal quando ele diz que aquele que perdoa detém o poder.
Porém, perdoar não significa esquecer. Metaforicamente perdoar, para mim, é como fazer um curativo na ferida. Você se machucou, tratou e agora precisa esperar a cicatrização que pode ser rápida ou não dependendo da extensão do ferimento. Como lemos em vários "memes" por aí, é verdade que o ferimento é muito maior quando vem de alguém que amamos. E, portanto, nada fácil de perdoar porque não é fácil de compreender.
Como alguém que te ama te fere, te magoa, mente pra você?
Por que por ser amor nós estávamos desprevenidos, vulneráveis, desarmados.
A questão pode ser muitas, mas no geral o outro não estava mentindo pra você mas para si mesmo. A calúnia, a traição, a mentira, a falha, a falta existe por que o outro não foi capaz de ser sincero com os próprios sentimentos. Então não vista a carapuça de "onde eu errei". Se você foi enganado na sua sinceridade e foi capaz de perdoar você é infinitamente uma pessoa melhor consigo.



sábado, 28 de dezembro de 2019

MULHERES CONCRETAS

Nossa sociedade é reconhecida em sua concretude.
Sempre que nos apresentamos diante do outro, diante do mundo, nos apresentamos dentro dessa concretude.
- Sou Edileine, professora com mestrado em Culturas e Identidades Brasileiras, moro em tal lugar, sou solteira, sou bem sucedida, sou alegre, etc, etc, etc...
Quando na verdade nós não somos nada. Nós estamos! Porque tudo é transitório. Então eu estou Edileine, estou professora, estou triste, estou morando em tal lugar, estou vivendo isso ou aquilo, mas eu não sou nada!
Comecei minha vida profissional com a cartografia e fui me aprimorando, conquistando clientes, ganhando dinheiro e achei que era cartografa. Aí a vida me ensinou que eu estava cartografa e minha profissão simplesmente foi devorada pela tecnologia e acabou. Hoje estou professora.
Demorei muito para aceitar esse estar, doeu, sofri, porque a concretude é uma terrível zona de conforto. Uma zona que nos faz estacionar, achar que tudo está resolvido, que podemos relaxar. Só que relaxar não pode significar ser relaxado consigo mesmo.
O "estar" deixa as portas abertas para todas as possibilidades. Se eu estou mas não sou, posso escolher muitos caminhos, posso mudar de idéia, mudar de direção, porque o "estar" é transitório.
Não é simples lidar com essa ausência de concretude, é muito doloroso! Admitir que você não é casada, você está casada. Você não é feliz ou infeliz, você está respondendo a um momento da sua vida. Você não é rica, você está e pode ficar pobre. Você não é isso ou aquilo profissionalmente, você está e tudo pode mudar.
Mas se isso pode ser assustador, também pode ser libertador.
Porque eu não estou viva, eu sou viva e vou morrer!
Ninguém está vivo se não viver. E viver não é só estar respirando e preciso ser presente na sua vida, nas suas escolhas, nas suas decisões, estar inteira no presente. Outra coisa que a  concretude nos ilude. Quando você diz ser casada, por exemplo, a ideia é que é um estado contínuo, infinito em si mesmo. Você é  casada, ponto, fim. Diferente de você estar casada hoje. Porque amanhã você pode estar solteira, viúva, divorciada, enfim, outra coisa qualquer.
Então reveja suas concretude.
Você não é uma pessoa infeliz, você só está assim. Você não é uma funcionária frustrada, você só está assim. Você não é uma mulher aprisionada aos conceitos sociais, você só está assim.
Escolha onde e como você quer estar em 2020!
Seja dona da sua vida!



terça-feira, 24 de dezembro de 2019

MULHERES ESCUTEM SUA INTUIÇÃO!

As datas "inventadas", "criadas" ou "manipuladas" com objetivos específicos e variados podem sim nos ajudar, como por exemplo servir para gerar em nós momentos de reflexão.
Aniversários, fim de ano, etc sempre marcam o encerramento de um ciclo em nosso subconsciente e tem seu lado bom. Parar para refletir sobre nossas ações,  nossas escolhas, onde estamos e onde queremos chegar.
O controle do tempo que nos diz a hora de comer, dormir, comemorar, estudar e tudo mais também controlou nossa intuição, nossa magia interna, nossa capacidade de ouvir o Universo. Somos uma partícula do macro mas nos desconectados de tal maneira que estamos a deriva.
Por isso a frase " Eu sabia" é dita em algum momento... depois da merda feita!
Não escutamos os avisos, os sinais, as dicas que a vida apresenta o tempo todo e escolhemos por arrogância o que queremos que seja, mesmo que isso signifique perder muito além do que estava previsto. Com isso empregamos uma energia desnecessário que gera doenças, tristezas e emoções negativas diversas e tudo porque viramos seres mimados.
A pior sensação é enxergarmos todos o sinais depois que o erro se deu e ter que se olhar no espelho e se perguntar porque se negou a ver o que estava tão claro.
O problema não é  errar, até porque são os erros e acertos que nos ajudam a evoluir; o problema é saber que estamos errando e ignorar. Focamos cegamente no objetivo, sem se importarmos com o preço até chegar nele. 
Nesta data vamos tentar nos reconectar como nós mesmas, com nossa bruxa interna.
Respeitar os ciclos, entender que algumas  coisas não serão nossas não importa o que façamos e se livrar delas.
Fazer escolhas melhores!
Fazer escolhas serenas!


domingo, 22 de dezembro de 2019

MULHERES EM MIM - Ciúme

Em 4 de janeiro de 2013 postei um texto aqui no Blog intitulado Mulheres Inseguras, onde perguntava: "que raio de mulher é essa que inferniza a vida dos namorados, maridos e afins por que ele tem amigas mulheres? Que porra de mulher é essa que precisa conferir as chamadas do celular, as mensagens do computador, ter as senhas de acesso pra vida da criatura? O que mais ela espera desse cara? Que ele venda a alma pra ela, que ele feche todas as portas para quem ele era no passado? Que ele acabe com todas as amizades? Que ele vire um zumbi apaixonado?"
Eu vergonhosamente virei essa mulher em 2016 e minha vida se transformou num inferno. Atravessei essa fase - GRAÇAS A DEUS FOI SÓ UMA FASE - em etapas. 

Primeiro, me apaixonei além da conta:
Nunca ame alguém mais do que a si mesma!

Segundo, me descobri ciumenta num grau doentio:
Nunca permita que suas emoções dominem você! 

Terceiro, depois de muito sofrimento entendi que aquilo era uma doença:
Aceitei que o ciúme estava me consumindo e que sozinha ou com o meu namorado, o fato é que eu não queria aquilo pra mim!

Quarto, fui buscar ajuda:
Nos livros (Osho tem livros excelentes), no papo com uma amiga, mas principalmente dentro de mim. Silenciei a mente e o coração e fui buscar o que tinha desencadeado aquele horror.

Por que é um horror! O ciúme não tem nada de saudável, de tempero do amor, nada disso. O ciúme é uma prisão, onde você mesma é o carcereiro, o juiz, o torturador, o réu e o culpado. Ele domina você como um obsessor, controla seus pensamentos, suas ações, quando você se dá conta parou de viver sua vida para controlar a vida do outro. Nada é mais assustador do que perder sua própria vida estando vivo. 
Eu vivi com esse "monstro" por 6 meses e vou dizer pra vocês, foi o pior momento da minha vida adulta. Hoje ele está enjaulado. Descobri mais uma mulher em mim e apesar do horror, eu me conheço um pouco mais. 
A questão é entender que o ciúme não tem relação com o outro, o ciúme te pertence. Você é responsável pelas estórias que cria, pelas mensagens subliminares que entende ou manipula. Isso não significa que não exista em algumas situações a traição real, mas o ciúme não impede isso, nada impede isso. A traição não depende do quanto você vigia ou controla o outro, depende muito mais do quanto você se respeita e se coloca na relação.  Aprendi e aceito que sou responsável pelo meu caráter e não pelo do outro. 
Se rolar traição,  separe! Busque alguém que esteja inteiro com você! 
Não vale a pena ficar com alguém pela metade, e isso significa entender que o outro aguentar uma pessoa doente (ciumenta) também é viver com você pela metade, porque o ciumento passa a maior parte do tempo se relacionando com o que ele acha que está acontecendo e não com o mundo real.

Ame-se ao ponto de não precisar do amor de ninguém para ser inteira! 




Sinopse:
Amor, Liberdade E Solidão de Osho: Por que será que tantas pessoas vivem sozinhas hoje em dia? O modelo da família tradicional está a desfazer-se; os jovens iniciam a sua vida sexual cada vez mais cedo, metade dos casamentos no mundo ocidental acaba em divórcio. O que aconteceu ao amor? Ao longo destas páginas, O autor analisa o fenómeno do amor no Ocidente e explica como a crescente tendência para a solidão pode ser vista como um fator positivo no desenvolvimento espiritual. É bem sabido que as pessoas que são felizes sozinhas têm mais hipóteses de ser felizes num relacionamento. Quem não souber aprender a viver consigo mesmo e para si mesmo, não será capaz de encontrar a felicidade com outra pessoa. Com o estilo mordaz que o carateriza, Osho oferece, neste livro, um guia sensato e divertido para encontrar o amor na complexidade da vida moderna. 
Uma leitura maravilhosa que ajuda a desconstruir nosso modelo ocidental e patriarcal de casamento.
Somos todos livres, mesmo estando com alguém. Precisamos entender a liberdade e aceita-la.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

MULHERES QUE DESCONSTROEM

Foi-se o tempo que as mulheres aceitavam tudo o que a sociedade as impunha.
Hoje temos voz, e ela é bem alta.
Isso não significa que o percurso ficou mais fácil - acho que nunca ficará - mas o bom é que as mulheres já não se importam com as dificuldades de desconstruir os modelos ridículos que o patriarcado criou com a conivência de muitas de nós.
No último dia da Mulher ouvi, pela milésima vez, que deveríamos ter o dia da pessoa, que não tem o dia do homem, blá blá blá... e respondi que esse dia não é para comemorar nada, mas para lembrar que dezenas de mulheres ainda apanham dos seus maridos, são mortas por eles, que os estupros ainda acontecem no seio da família, etc. E, portanto, é um dia para exigir respeito.
Mas seja por medo, conformismo, crença na superioridade masculina ou simplesmente preguiça, muitas compraram o modelo sobre quem deveríamos ser e replicaram isso na educação de nossos filhas e filhas. Num contexto histórico, onde a mulher não podia trabalhar, estudar, sequer pensar, esse comportamento tinha suas justificativas; mas hoje em dia isso é inconcebível.
Isso não desqualifica o seu DIREITO de querer ficar em casa tomando conta das crianças, de querer ter muitos filhos, de depender do marido se isso for acordado entre vocês. Porque também houve um movimento que desconstruiu tanto esses papéis que querer essas coisas virou símbolo de estupidez e não deve ser assim. O ideal é prevalecer a liberdade de construir seu próprio caminho.
Ser mãe ou não... casar ou não... gostar de homem ou não...
Ontem, durante um papo com uma colega de trabalho com quem eu mal falava, descobri uma mulher interessante. Ele me confidenciou que ama seus filhos, mais odeia a maternidade. Olha que bárbaro!
Foi muito complexo por séculos uma mulher poder admitir isso sem ser "crucificada".
Você pode amar sua cria e odiar a maternidade e toda a responsabilidade que vem com ela. Ter odiado o momento do parto, os dias sem dormir, a "prisão" (como ela mesmo disse) dessa condição, invejar a flexibilidade de alguns pais (homens) e tudo mais pertinente a essa situação eternamente imposta pela maternidade.
Para evitar isso é importante se conhecer para fazer as escolhas certas!




terça-feira, 10 de dezembro de 2019

MULHERES QUE BRIGAM


Eu tenho o hábito de registrar no computador as coisas relevantes que faço ano a ano. Isso me ajuda de muitas maneiras: lembrar, agradecer, manter o foco, e saber com clareza do que sou capaz.
Como fiquei sumida do blog desde abril de 2017, fui verificar nos meus arquivos coisas que pudessem me ajudar neste retorno - 2017 tem registros de viagens curtas, passeios, festas a fantasia e "brigas, discussões e stress" - 2018 aparece renegociação de dívida, reuniões com o sindicato, " amor, discussões, calmaria e sexo"
Ao ler meus apontamentos me veio na memória como foi difícil esses últimos 3 anos; para vocês terem uma ideia em 2017 apareceu um inicio de vitiligo na minha mão direita (vitiligo é uma doença autoimune assossiada ao stress e que causa despigmentação da pele). Levei um susto e procurei um dermatologista, depois de conversarmos bastante ele me disse que eu tinha uma cabeça boa e que daria pra controlar o processo, o que de fato aconteceu.
Então tudo estava ótimo!
Não, não estava e a "cabeça boa" não segurou a onda.
Em 2018, eu tomei a frente de questões sindicais no meu trabalho, que envolveu muitas pessoas: colegas de trabalho, chefia direta e indireta, brigas com RH, leis trabalhistas, direitos e deveres e no fim de 2018 fui procurar um psiquiatra.
Simplesmente não consegui desligar e precisei de ajuda profissional.
Essa atitude ia contra tudo o que eu pensava durante quase toda a minha vida adulta, mas a vida ensina que precisamos admitir nossas falhas, pedir ajuda e seguir adiante!
O psiquiatra me disse a mesma coisa que o dermatologista, que tinha uma " cabeça boa" e não sei mais o que, e que por isso ele mesmo tiraria o remédio o mais rápido possível, o que aconteceu. Mas ele também me disse uma coisa muito importante: Você precisa fazer coisas para Você ser feliz.
Caramba! Eu sempre soube disso. O que tinha acontecido?
O último ano do mestrado, o relacionamento conturbado (falo disso numa próxima postagem) e a confusão sindical foi uma sequência do cacete e eu não dei conta. Eu esqueci de mim.
Minha resolução foi voltar pra mim em 2019.
Fiz várias viagens esse ano, liguei a tecla foda-se para muitas situações, investi em vender o mestrado e o mais importante voltei a dar o peso certo para cada situação.
Estou terminando o ano cansada, mais tranquila.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

VOLTEI...

Fazem quase 2 anos que sumi... desculpem.
Fui engolida pela vida!
Nesse tempo muitas coisas aconteceram, enfrentei meus monstros internos, descobri muitas mulheres em mim (muitas mesmo). Algumas tive que aprender a conviver, outras me ensinaram muito e teve aquelas que me assustaram.
Minha última postagem foi em 13 de abril de 2017... mas pretendo manter postagens constantes e recuperar meus seguidores.
Porque deixei de escrever?
O mestrado acabou comigo. O que era para ser um prazer, uma alegria, terminou sendo uma tortura. Não o trabalho acadêmico em si, mas a minha "não" relação com o orientador, um ser que descobri ao longo do percurso ser um misógino prepotente que no mínimo sentia prazer em humilhar as pessoas. Todo o processo foi penoso, no sentido de ter que provar o tempo todo minha presença no sacro santo espaço da USP.
Eu, uma mulher da periferia, graduada numa faculdade privada de nível baixo (uma uniquintal, como eles dizem), como assim? O que eu estava fazendo no reduto dos deuses intelectuais de São Paulo?
Mas, peraí...
Meu currículo tinha sido aceito, passei nas mesmas provas que todos ali, apresentei um pré projeto, qual era então o problema?
Era o preconceito de classe! Era a arrogância de alguns! Eles se acham realmente acima da maioria!
Recebi email desrespeitosos, ofensivos (do tipo: você não sabe escrever?), emails que aliás tenho guardados até hoje e conversas no Whatsapp também repletas de ironia e indiretas ofensivas. 
Porque não reagir? Brigar? Exigir respeito?
Por que você está refém da situação, por que o que está em jogo são 3, 4 anos de estudo e dedicação que podem ser perdidos se você for reprovada na qualificação,  ou se o seu orientador desistir de você e indicar outra pessoa.
Bom... resumo da ópera... terminei o mestrado sem nenhum tesão, esgotada e no meio de uma crise nervosa séria. Defendi minha dissertação, peguei meu título e fui me recuperar de uma depressão/melancolia e não sei mais oque.
Para piorar tudo, essa não relação com a "criatura olimpiana" desenterrou lembranças e vivências péssimas  com o meu pai, que só ajudou a piorar mais ainda o processo.
Hoje, recuperada, voltei a ter prazer em estudar; meu mestrado está dando frutos e deletei o pseudo Deus do Olimpo da minha existência.


Dia da defesa - 2016

Seminário de Palegrafia na UFO - Universidade Federal de Ouro Preto/ MG - 2017
Palestra na Caixa Cultural sobre Arte nas escolas - 2018


Palestra no Museu de Arte Sacra - 2018

Palestra no Sesc  Formação - 2018

quinta-feira, 13 de abril de 2017

MULHERES IRRITADAS



EU ODEIO O BIG BROTHER BRASIL!!!

Não assisto, não sigo, não sei quem são os participantes e muito menos quais são as regras...mas inevitavelmente as polemicas forjadas chegam aos meus ouvidos através das redes sociais. E a ultima estupidez me irritou imensamente mais do que todas as outras. Não vou julgar o comportamento do pseudo casal, nem julgá-los individualmente (tenho minha própria opinião sobre as criaturas que aceitam expor suas vidas a esse nível para alcançar a fama). Mas vamos ao que interessa...
Toda a palhaçada começou com o "escândalo" da cena de sexo quando a garota fez um boquete no fulano e engoliu o sêmen...
E TODA A HIPOCRISIA DESSA SOCIEDADE ESCROTA VEIO A TONA!
Repleta de ofensas, julgamentos, rótulos, com a eterna noção de que o cara era o garanhão e a mulher a puta, a piranha, vagabunda e o diabo... QUE LIXO.
E a palhaçada foi concluída com o desfecho da agressão dele sobre ela, independente de ter sido agressão física, verbal ou psicológica.
E TODA A HIPOCRISIA DESSA SOCIEDADE MACHISTA VEIO A TONA MAIS UMA VEZ!
Com os absurdos argumentos de que ela teria merecido a agressão por ser uma puta, piranha, vagabunda e o diabo... QUE LIXO.
É muito reconfortante saber que todos os brasileiros transam apenas para procriar e na posição papai e mamãe... é reconfortante saber de que nenhum brasileiro possui desejos, taras, perversões, que nenhum brasileiro dá o cu, bate punheta, faz boquete, que todos são castos e puros. Que não existem sexshop vendendo vibradores, anel peniano, extensor peniano, plug anal, etc. Que não temos prostituição masculina, feminina e INFANTIL. Que nenhum adulto brasileiro jamais buscou sacanagens na internet. 
VAI A MERDA!
Homens e mulheres hipócritas, machistas, misóginos, patéticos, ridículos. 
Toda a luta feminista perde o sentido, toda a busca pela igualdade perde a razão nessa sociedade cínica, perdida numa moral medieval e medonha, onde homens e MULHERES ainda culpam a mulher pela violência sofrida, que ainda condenam o desejo sexual feminino, onde ainda se aprisiona a natureza humana numa redoma maniqueísta.


sábado, 8 de abril de 2017

MULHERES CANSADAS DE GUERRA



Existe um cansaço que está tomando conta de mim e pelas conversas, de outras mulheres também. Parece que os discursos se tornaram imperativos. Temos que tomar partido, ter opinião, sermos politicamente corretos e defendermos o feminismo a qualquer custo por sermos mulheres. Tá foda!
Perdemos o direito de sermos individuais e "termos nossas opiniões formadas sobre tudo".
Óbvio que quero respeito como indivíduo e não apenas como mulher. Se precisamos brigar ferrenhamente sobre os direitos femininos é muito claro que não temos direitos individuais protegidos. E num país machista como esse, onde ainda temos salários e direitos civis desiguais entre homens e mulheres, ver posicionamentos sobre o uso de absorventes ou não, depilar as axilas ou não, direito à arrotar ou não, é surreal. 
Como lido com o MEU corpo é problema MEU. Como lido com minha higiene pessoal tem relação com minha visão de saúde e bem estar e não com minha necessidade de igualdade de gênero. Quero respeito como pessoa. Usar a roupa que quiser sem ser questionada por isso... sair a hora que quiser sem ser acusada por isso... ocupar o cargo que conquistei por mérito e ser paga por isso... cuidar da minha casa e da minha família, gostar de cozinhar e não ser rotulada por isso...
Porque já não era suficiente sofrermos preconceito por parte dos homens, agora sofremos preconceitos por parte das feministas engajadas. Fala sério??
Quero direitos e não rótulos. 


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

MULHERES ENCANTADAS



Quem não conhece essa imagem?
O final feliz de Cinderela, quando ela calça o sapatinho de cristal, deixa de ser a gata borralheira, casa-se com o príncipe e vive feliz para sempre. Antes disso as duas irmãs tentam desesperadamente calçar o bendito sapato sem obterem sucesso. Tudo por um final feliz (um marido).
Na vida real, quantas vezes forçamos a vida a se encaixar nos nossos sonhos, numa tentativa absurda de buscar a felicidade? Quantos de nós já não forçaram a barra de uma situação acreditando (ou querendo acreditar) que aquilo fizesse parte do nosso destino?
É duro admitir mas algumas coisas simplesmente não existem para serem nossas... Outras fazem parte do nosso destino apenas por um período, sejam amigos, namorados, trabalho, lugares, sensações, emoções.
Forçamos a barra por uma petulância humana em acreditar que sabemos o que é melhor pra nós, ainda que todas as situações indiquem o contrário. Queremos que aquilo de certo, mesmo que seja na marra. Não importa se for na base da mentira ou da dor.
Alguém já pensou o quanto deve ser difícil andar, dançar ou viver calçada com um sapato de cristal?
Ele é duro, não transpira, deve ser pesado... Porque um sapato de cristal? Porque não de flores, de nuvem, de luz? Pode parecer só um elemento lúdico da história inocente da menina sofrida que é abençoada com o sonho que se encaixa, mas o elemento escolhido me faz pensar.
Mesmo quando os sonhos se encaixam os problemas não cessam. Quando você encontra o trabalho dos seus sonhos, você ainda terá que lidar com um chefe, com horários, com responsabilidades maiores que você. Quando você encontra o amor da sua vida ainda terá que encaixar personalidades, desejos, objetivos de vida. Passar na faculdade desejada não diminui o peso do percurso até a profissão. E assim por diante.
No mundo real é nossa obrigação saber que as coisas não possuem um final feliz "para sempre". Um período sim, um momento sim, mas "para sempre" nunca.
Então o sapato não serve para ninguém.
As vezes ele vai causar bolhas dolorozíssimas. As vezes o inteligente será andar descalço, deixar as bolhas cicatrizarem, deixar os pés livres e simplesmente viver os sonhos que forem nos envolvendo naturalmente. Ser levado à um emprego melhor, à um lugar melhor, um amor saudável, sensações boas, tudo sem forçar.
A bendita frase: eu te avisei, fica muito pior quando vem de dentro pra fora. Quando foi sua intuição que ficou gritando dentro da sua cabeça enquanto você forçava o sapato de cristal a servir de qualquer jeito.
Tudo isso, é nossa tentativa de controlar as coisas. E na verdade, não controlamos nada.
Calçar o sapato de cristal não garante nada além de muita dor no pé.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

MULHERES QUE SOBRAM



Fazemos opções nossa vida inteira, desde a mais tenra idade. 
O que vestir, o que comer, o que estudar e onde, o que ser quando crescer, quem namorar, em quem acreditar, quando ir e quando parar, onde morar, transar com qual idade, quais amigos escolher, em que arriscar, casar ou não, ter filhos ou não, ficar com os pais ou morar sozinha, trabalhar numa empresa ou ter seu próprio negócio, quando dizer sim e quando dizer não, e por ai vai. 
Fazemos as escolhas baseadas nas nossas convicções (ou na pressão da sociedade), mas acreditamos estar fazendo as escolhas certas. Em família, cada irmão opta por determinados caminhos e lá na frente alguém sobra. Geralmente é aquela (e) que optou por ser solteira (o).
Como se fosse uma punição (o que não deveria ser) a (o) irmã (o) que escolheu ser solteira, não ter filhos, viajar, ser livre, fica com a responsabilidade de cuidar - sozinha - dos pais. 
"Sobra" para ela ou ele a responsabilidade que deveria ser de todos os filhos. Mas como se fosse natural, o discurso mais corrente é que você tem tempo livre, não tem filhos, pode ficar com eles, levá-los ao médico, atender qualquer pedido de socorro a qualquer hora e qualquer dia, sem contar que por não ter família você só pode ter mais dinheiro.
Perai... O solteiro também paga luz, água, telefone, também faz mercado, vai a feira, precisa cuidar da sua casa, lavar roupa, passar (argh), ir ao banco, e tudo isso sem ajuda de ninguém, sem dividir as tarefas. Porque teríamos mais tempo livre? Não seria o contrário?
Quando nossos irmãos jogam na nossa cara esses argumentos, usando de artifícios mesquinhos para nos culpar da nossa suposta ausência, não seriam eles os culpados de abandonar nossos pais?
Conheço uma dezenas de mulheres que ficaram com essa responsabilidade e se culpam.
Se culpam por se sentirem cansadas e irritadas com essa situação. Um conflito emocional muito grande por que querem fugir dessa obrigação, e ao mesmo tempo não se sentem capazes de negar ajuda aos pais. 
A questão é quem abandonou quem.
Se os pais cuidam de até 10 filhos, por que 10 filhos não podem cuidar de 2 pais?
O abandono dos idosos está cada vez pior e a desculpa dos jovens é de que a vida está muito corrida. Imaginem agora com esse novo panorama de que nós teremos que trabalhar até os 90 anos para se aposentar. E como será a relação de filhos com pais idosos que só terão aposentadoria tão tardiamente?
É muito desgastante física e emocionalmente você ficar responsável sozinho pelo bem estar dos seus pais. Ser cobrado pelos seus irmãos que se negam a contribuir por puro egoismo, essa é a verdade. E a contribuição não significa só dar dinheiro, mas dar atenção, fazer um carinho e estar presente.

domingo, 15 de janeiro de 2017

MULHERES (HOMENS) PRISIONEIROS



Você precisa e busca a aprovação dos seus pais...
Precisa e busca a aceitação da sociedade, do seu grupo, dos seus amigos...
Vive pela absolvição da sua religião e consequentemente do seu padre, pastor, mentor, pai de santo, guia espiritual...
Suas decisões dependem da oração, da vela, do cristal, do banho de ervas, das vozes, das cartas, dos búzios, da borra de café, da promessa, das superstições, do seu Karma, sua vida passada, dos seus pecados, do seu merecimento...
Modifica sua aparência corporal de acordo com a revista, a TV, a moda, o padrão, a modelo, a foto, o comentário do Facebook...
Seu sucesso é medido pela quantidade de bens que você arrebanha, pelo valor do seu salário, pela importância da sua profissão...
Os telejornais, a mídia, o rádio, as reportagens, os comentaristas direcionam suas opiniões e seus pensamentos...
Necessita dos livros e professores para que lhe digam sobre seu passado, sua história...
Sua auto estima está nas mãos do outro, de como você é amado...
A realização da vida esta vinculada a uma sequência de acontecimentos entre crescer, prosperar, casar, ter filhos, netos e morrer...

Poderia continuar a enumerar dezenas de itens dessa prisão que aceitamos viver, numa zona de conforto assustadora, incapazes de identificar nosso carcereiro. Como os personagens do Matrix e as centenas de cabos presos ao nosso corpo nos dizendo quem somos, como somos e porque somos. E assim vamos nos tornando seres autômatos.

O que cabe outros questionamentos:

Onde entra o discurso de que somos filhos de Deus, seres com alma e livre arbítrio?
Diante dessa prisão nós teríamos matado Deus?
O que de fato é nosso pensamento?

Liberte-se!
Pense!
Não é fácil, mas vale a pena tentar!



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

MULHERES CIUMENTAS



Eis um tema novo para mim, mas como não falo sobre coisas pelas quais não me deparei pelo menos uma vez na vida, esta na hora de falar sobre essa mazela: o Ciúme.
Primeiro temos que admitir que não existe ciume bom ou saudável; ele sempre é ruim, Ruim para quem sente porque ele te escraviza, te tortura, te machuca, te destrói, as vezes mais e as vezes menos. Enquanto o outro, em geral, sequer nota sua dor... Sim porque dói pra cacete saber que o alvo do seu amor declara o mesmo amor que sente por você para outras. Isso diminui o seu valor, diminui sua importância, e você passa a ser apenas mais uma e não aquela mulher especial que o seu companheiro fez você acreditar. Mas peraí... Porque você precisa do aval do outro para se sentir especial?
Antes do ciúme temos portanto um outro problema. Como lidamos com o amor, como lidamos com aquela personalização do Facebook onde diz "Em um relacionamento sério".
Estar junto com alguém significa o que, afinal de contas?
Se o outro não se sente feliz apenas com você e precisa de outras pessoas, outras diversões, cabe a você aceitar, jogar o mesmo jogo ou sair fora... mas cobrar, marcar em cima, enlouquecer, isso não é uma opção. Primeiro porque ele vai te trair não importa o que você faça, se isso for da sua índole e não digo índole como falta de caráter, alguns homens simplesmente não conseguem abandonar o exercício da conquista, da sedução e tendo conquistado você, onde vai exercer isso senão com outras. Isso não é um comportamento apenas masculino, mas falarei sobre a traição feminina em outra situação.
Nos dias atuais o ciúme passou por uma grande transformação, sofreu um grande impacto advindo das novas formas de comunicação. Seu companheiro pode  responder uma mensagem no WhatsApp estando ao seu lado e você sequer vai perceber; ele pode receber fotos de todas os tipos e mandar para Nuvem; ele pode conversar por Skipe, por Telegram, Messenger e outros inúmeros aplicativos que tentar vigiar isso tudo é no mínimo um esforço enlouquecedor. Isso acaba transformando você ou numa pessoa chata ou numa pessoa infeliz. Sinceramente nenhuma das duas coisas é uma opção a se pensar. Além desses recursos, existem centenas de sites de relacionamento disponíveis para baixar nos celulares de graça. Sites só para sexo, só para traições, sites onde as mulheres se admitem casadas e alegam só querer sexo sem compromisso, ou seja, se você é ciumenta tá fudida. Para piorar, ainda mais, você é capaz de ver onde o outro está, que horas estava online, se esta conversando com alguém ou não... PUTA QUE PARIU...
Por isso eu digo não vale a pena! 
Imagine então se você pega alguma coisa... PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUU...
Não existe tortura maior que essa. A solução é trabalhar diariamente sua auto confiança independente do outro. Esquecer o amor, esquecer a relação e se voltar para você. É um trabalho árduo de rever sua forma de amar, de ver você na relação. E se fazer perguntas.
Primeiro: Você é dono do outro? Pode controlar a forma dele te amar? É capaz de medir o quanto ele te ama? A traição dele tem a ver com você? Seu amor é saudável?
Segundo: Você consegue lidar com isso? Você merece passar por isso? O quanto a dúvida é loucura da sua cabeça e o quanto é um fato real?
Terceiro: Você é dona de você mesma? Você tem poder sobre suas emoções? Tem outros interesses além desse relacionamento?
Quarto e mais importante: Se é ruim porque você simplesmente não sai fora?
Resumindo...
O ciúme é problema seu. Só seu!
É problema seu aceitar a traição, caso ela exista. É problema seu ficar. É problema seu criar monstros maiores do que sua capacidade de raciocinar. É problema seu sua carência afetiva que atribuiu ao outro a responsabilidade sobre sua felicidade. É problema seu não tomar posse da sua independência.
Portanto liberte-se!
Tenha em mente que isso é com você, e só com você. Controlar seu ciúme é o melhor para sua saúde mental, emocional e intelectual.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

MULHERES (E HOMENS) INTOLERANTES


É quase um senso comum que 2016 foi um ano estranho, para dizer o mínimo. Desemprego, desmandos e descasos políticos em níveis inacreditáveis, impeachment, falência das instituições, violência, mas o que mais me impressionou neste ano foi a intolerância. 
Somos (nós brasileiros) idiotas em repetir um jargão de que não somos preconceituosos, de que aqui todos os povos e religiões convivem harmoniosamente. BESTEIRA! Essa é uma mentira que tentamos manter para perpetuar nosso status de "legais". As redes sociais demonstraram o contrário este ano. As discussões políticas partidárias durante o impeachment da presidente Dilma nas redes sociais extrapolou o debate sobre "o certo e o errado" e virou um campo de ofensas, agressões, brigas de vários níveis. Rótulos foram dados dividindo um povo que de fato nunca foi unido. 
Além das questões políticas, que foram e são graves, os grupos homofóbicos, de feministas extremistas, de religiosos fanáticos, dos misóginos, contra isso e contra aquilo surgiram, minaram, brotaram em uma quantidade assustadora. Memes ofendendo as mulheres, xingando os homossexuais, detonando a religião alheia ou glorificando a sua, todos agressivos, humilhantes, absurdos. Mas que nós (brasileiros) achamos engraçados, afinal é tudo brincadeira.
Mas não é!
Comparar uma mulher a um porco na hora do abate quando se faz sexo anal, não é engraçado. É ofensivo ao cubo.
Encher o Facebook de "aleluias", "amém", "curta se você acredita em Jesus" é desrespeitar a religião dos outros e impor a sua num espaço laico por objetivo.
Publicar um meme onde se afirme que mulher que faz isso ou aquilo não é pra casar é de lascar.
Promover a discórdia, ofender quem não pensa como você, cortar relações... Que porra esta acontecendo? Viramos um bando de mimados? Perdemos a capacidade de convivência?
Ou sempre fomos assim?
Intolerantes, preconceituosos, temerosos, rancorosos, assustados, ignorantes, imbecis, arrogantes, prepotentes...
A coisa chegou num patamar que tudo que dizemos ou pensamos ofende alguém. 
Desculpem minha ingenuidade, mas eu pensei que as redes sociais tivessem surgido para reduzir as distancias e aproximar as pessoas, possibilitando um espaço de debate, onde eu conseguisse através disso entender as diferenças sociais e culturais que existem entre todos nós. Perceber que o time que você torce, o partido em que você vota, sua escolha sexual ou a fé que você professa não interfere na amizade que podemos travar superado essas diferenças. Porque as relações humanas são maiores que isso. Ou deveria ser.
Muito ao contrário, as redes sociais fez minar o lado perverso das pessoas, é como se todos passassem a se odiar ao descobrir pequenos detalhes sobre o outro. Tipo: "Eu sabia, fulano só podia ser gay, ou votar no PMDB, ou ser palmeirense, ou acreditar em Buda". Mas a questão é que ninguém é SÓ ISSO OU SÓ AQUILO. Se cada um de nós não praticarmos a humildade de enxergar o outro, isso só vai piorar. Gerando mais misoginia, mais radicalismo, mais homofobia, mais racismo, mais ódio, mais violência.
Precisamos buscar urgentemente refletir sobre tolerância!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

MULHERES ENVENENADAS

A mulher chorando
Pablo Picasso (1937)


Esse ano de 2016 foi um ano de grandes conflitos emocionais e stress.
Falei demais, reclamei demais, fiz fofoca demais, participei de problemas que não eram meus, resumindo: me envenenei.
Sim, eu me envenenei. 
Quando me deixei envolver pelos problemas de tal forma que eles passaram a fazer parte de mim. Isso fez tudo parecer maior, mais grave e quanto mais crescia dentro de mim, mais o veneno se espalhava. Conflitos no trabalho, no relacionamento, nas relações humanas, no mestrado e de repente estava sem controle sobre as minhas emoções. Esse envenenamento pode e deve ser controlado. Como?
Mantendo a mente serena, independente do que esta acontecendo ao seu redor. Ter consciência para analisar se o que esta acontecendo realmente tem influência na sua vida e se de fato te afeta. As vezes nos envenenamos por osmose e sem nos darmos conta estamos nos matando por problemas que se sequer são nossos. 
Quando eu digo nos matando, estou sendo literal. A incapacidade de lidar com o veneno externo e interno fez com que eu desenvolvesse dois sintomas: hipertensão e vitiligo. Ambos diretamente ligados ao lado emocional, ao stress. Eu sei que alimentei as duas doenças quando perdi o controle das minhas emoções. Quando permite que o veneno se espalhasse. E não pretendo mais fazer isso.
Basta!
Nada e nem ninguém pode me tirar do controle das minhas emoções, mesmo quando elas forem afetadas. Poluir minha mente com fofocas, com a insatisfação alheia, com comportamentos dos quais eu não tenho responsabilidade, tudo isso não pode mais acontecer. Para isso, vou meditar. Acalmar a mente. Criar imagens mentais que reflitam meus objetivos, o presente que quero ter. Isso significa que mesmo envolvida nos meios sociais, o que vai importar é o que eu quero e como eu me sinto. 
O convívio social precisa ser mediado pela nossa própria consciência. Ouvir um amigo, suas reclamações não precisa ser evitado, mas é imprescindível que o veneno por ele produzido fique com ele. 
Cada um tem suas próprias mazelas a resolver e sem nos dar conta vamos nos contaminando com o nosso entorno. Crimes expostos pela TV, violência, desamor, falta de compaixão, traições, humilhações e quando menos percebemos estamos amargos, acreditando só nas coisas ruins. Não permita se envenenar. Isso não significa se alienar, apenas ouvir, filtrar e tocar sua vida.  Há coisas ruins pelo mundo todo, coisas que ultrapassam diversos níveis da dor humana; mas também há a alegria do dia a dia. Chore quando for para chorar, mas não carregue consigo essas dores. Limpe sua mente e tente criar um campo mental onde haja amor, alegria, prosperidade e paz... Faça disso sua realidade. Fortaleça suas convicções nisso, nessa sensação e quando você se ver envolvida nessas situações de envenenamento vai ser mais fácil dar um conselho, ter uma palavra amiga ao invés de ajudar a espalhá-lo.   
Nessas férias, além de descansar, quero alterar meu campo de pensamento, limpar minha mente e eliminar o veneno que permiti entrar. Se eu coloquei para dentro, só eu posso expulsá-lo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

MULHERES PARA CASAR


Como eu odeio este título! 
Ano após ano eu espero este esteriótipo cair.
Espero, cheia de esperança, encontrar homens que amem as mulheres, que as enxerguem como seres humanos. Seres com os mesmos medos, anseios e desejos que eles. Mas ao contrário, os misóginos permanecem... Odiando nossa sexualidade, odiando nossos corpos, odiando nossa coragem em romper barreiras e o pior de tudo, eles tem ao seu lado as mulheres acovardadas que aceitam seus postos de servidão sexual, acreditando que admitir sua sexualidade fazem delas VAGABUNDAS. 
E elas educam os próximos misóginos, os próximos estupradores, os próximos espancadores...
Ouvi o discurso maravilhoso da Madonna durante a premiação da Mulher do Ano pela Bilbboard e fiquei emocionada, dois dias depois li no facebook um texto medonho sobre a diferença entre as mulheres para casar e mulheres para trepar, explicando que mulheres que postam fotos sexy estão vendendo uma imagem errada. 
Oi?
Errada pra quem cara pálida?
Para uma merda de um homem feito você que não consegue amar uma mulher que tem a sexualidade a flor da pele, que curte seu próprio corpo. Uma merda de um homem que dividi a mulher em partes por que não é capaz de amar uma mulher inteira. Uma merda de um homem incompetente, frágil, fraco e muito provavelmente pouco viril, incapaz de bancar uma mulher forte, sexualmente ativa, inteligente e que para se sentir homem precisa chegar em casa e encontrar uma mulher "submissa" o suficiente para te fazer sentir o macho do lar. Que no fundo morre de medo de ser traído por que se sente intimamente incapaz de bancar essa mulher. Desculpa, mas o sexo frágil é você, que não vai conseguir amar mulher alguma. 
Em um trecho do seu discurso Madonna fala sobre as mulheres escrotas que alimentam esse comportamento por pura insegurança, estupidez e a mais pura inveja enrustida:

"Seja o que homens querem que você seja, e mais importante, seja alguém com quem as mulheres se sintam confortáveis por você estar perto de outros homens."

Gente isso já deu!
Isso demonstra tamanha ignorância intelectual, emocional e sexual que eu nem sei se existe um adjetivo para isso. Os estupros, a falta de respeito, os salários mais baixos, a violência velada, os abusos no metro, trem e ônibus, as piadas nos ambientes masculinos, o desrespeito ao corpo feminino... Até quando?...
Não é mais um caso de falta de conhecimento, ou falta de informação, mas de comportamentos arraigados. De sermos incapazes de nos entender como seres humanos. Todos com fantasias, desejos, buscas, sonhos, expectativas. Como podem ainda obrigar que as mulheres se escondam em suas "cozinhas", bordando suas toalhas de mesa, se fingindo de tolas e aguardando seus esposos para o jantar. Nós que dirigimos empresas, pilotamos aviões, carros, jatos, que comandamos famílias, que estudamos e trabalhamos, que saimos de casa para uma jornada tão exaustiva quanto a masculina, mas que não se encerra ao final do dia...
Vocês (homens) querem as mulheres para casar? Desistam ou se casem com as idiotas, aquelas que vão massagear seus egos infantis.
Homens adultos, homens de verdade respeitam suas mulheres... mulheres pra casar, trepar, conversar, dividir, construir, compartilhar, respeitar, amar e ficam com elas. Admiram sua sexualidade, sua inteligência, suas opiniões e suas decisões... Crescem com isso... Se orgulham disso...



Misoginia( do grego, miso - odio / gine - feminino) é a aversão a tudo que é ligado ao feminino e às mulheres.


Discurso da Madonna na integra:


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

MULHERES INTERESSEIRAS


Como é da natureza "antropológica deste planeta" as pessoas optaram por rotular os indivíduos ou grupos sociais para se protegerem, se preservarem e poderem descer o pau nos outros sem culpa. Afinal isso nos tira a responsabilidade... Se sou melhor então tenho autoridade para julgar...
Ai meu saquinho!!!
Hoje vou falar de uma história real, que aconteceu com uma outra mulher e que portanto vai ter seu nome e dos envolvidos preservados.
Ela se separou a alguns anos de seu marido depois de seus afastamento devido ao trabalho dele, quando os conflitos que vinham sendo contornados ficaram evidentes. Numa dessas ausências, ela viajou com uma amiga afim de se divertir e descansar de seu trabalho também estafante e isso gerou uma grande briga. O, então marido, achou um absurdo ela ir se divertir com amigas solteiras enquanto ele estava ausente trabalhando e ainda que ela explicasse que estava de férias e precisava descansar, não houve acordo.
Durante a viagem Lúcia começou a pesar os prós e contras do casamento (nós mulheres fazemos isso o tempo todo) e resolveu se separar assim que voltasse para casa. Decidida, se separou.
Foram 2 anos de paz, liberdade e sossego... Mas...
Eles se reaproximaram e Eduardo propôs um recomeço, tinha mudado, entendeu durante a separação que tentou inúmeras vezes controlá-la e que queria dividir com ela sua conquista profissional. Agora ele tinha alcançado um alto cargo e seu salário girava em torno de 100.000,00 reais por mês.

P.S.: Você não leu errado. O tal Eduardo ganha em torno de cem mil reais por mês.

Durante a separação montou um apartamento no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, bancava os filhos do primeiro casamento nos Estados Unidos e resumindo estava muito bem.
Sua proposta era dar-lhe uma "mesada" de 10.000,00 reais para que parasse de trabalhar e fosse fazer seu mestrado (seu projeto no momento), colocar uma empregada na casa e que ela se desfizesse do seu apartamento para morar com ele. Quase uma versão atualizada de "Uma linda mulher" com a Júlia Roberts, só que não.
Durante um dos encontros de conciliação desse homem mudado e maduro, ele deixou escapar que ainda não tinha engolido sua viagem com a amiga solteira e insistiu de forma enfática de que Lúcia deveria parar de trabalhar e vender seu apartamento.
Lúcia recusou!
Recusou os 10.000,00!
Recusou a empregada!
A possibilidade de estudar sem pressão!
A segurança financeira!
Por que diferente do que a sociedade machista prega, de que as mulheres são interesseiras, que querem um homem que as sustentem,  elas querem antes de tudo respeito.
A proposta do Eduardo cheira a armadilha. Largar emprego (autonomia), abandonar apartamento (segurança), ficar a disposição (bibelô) era quase uma lista de aprisionamento. Quanto tempo levaria para ele estar controlando seus gastos, suas amizades, suas saídas, sua vida. 
Exagero? Talvez. Mas a frase perdida entre todas, sobre a viagem estava ali, indicando que não havia mudanças, que o homem que tinha ciúme das suas amizades, do homem que controlava suas roupas, que odiava seu emprego ainda estava ali e que havia voltado apenas com um trunfo a mais: o poder da grana.
Ele apenas não esperava que Lúcia não tivesse preço.
Eles estão saindo (transando)... Cada um no seu apartamento e no seu emprego...
Pode ser que haja um entendimento e que ele perceba que é muito melhor não comprar e talvez ela supere o medo de se entregar.