domingo, 30 de novembro de 2014

MULHERES...LADO SOMBRIO



Quando comecei o blog, a intenção era discutir os medos, as inseguranças femininas, admitir nossos erros e tentar (minimamente) refletir sobre o quanto a sociedade moldou e molda nossas atitudes. Tentar entender, perceber o que eram nossas escolhas e as escolhas dos outros. Também afirmei lá no inicio de que não tinha nenhum título que certificasse as coisas que vinha postando. Todas as minhas opiniões aqui postadas eram apenas opiniões pessoais passíveis de críticas e erros. Minha única fundamentação é o fato de eu ser MULHER.
Por outro lado, os textos baseados em minhas experiências pessoais me deixa vulnerável, exposta, acessível num nível estranho de prever as consequências. Mas acredito que as vivências de uns ajudam o crescimento de outros. Então hoje resolvi me expor um pouco mais...

Meu coração anda apertado e hoje pela primeira vez (tenho 46 anos) pensei em fazer terapia. Não para fazer as perguntas, mas tentar encontrar as respostas para perguntas que venho fazendo desde os meus 7 anos e que com o tempo, com a maturidade venho lapidando e definindo. 

A primeira e primordial seria:
"Porque não consigo reverter o "não" amor do meu pai em relação a minha auto estima?"

...

O "não" amor dele modificou completamente a forma como lido comigo mesmo e o amor do outro e mesmo enxergando isso com clareza não consigo...
Sou muito bem resolvida em muita coisa. Não tenho problema em me relacionar, em fazer amigos, em fazer sexo (com amor e sem ele), não sou ciumenta, mas... Durante muito tempo tive muitos problemas com compromisso. Não conseguia pensar em trabalhar fixo (por isso me tornei free lancer), não conseguia pensar em casamento, nada de programas fixos em nenhuma situação... Isso foi se modificando com o tempo e fui ficando mais tranquila. Hoje trabalho em uma empresa, mudei de profissão, e quem me conhece sabe o quanto isso foi uma mudança em minha vida. A tatuagem, por exemplo, foi um marco nessa passagem; ela representa a aceitação do permanente na minha vida.
Mas ainda convivo com a dor de não ter sido amada por ele e o ódio por me sentir assim apesar de tantos anos de ofensas, perseguições, medos, abandono e nem sem mais o que...
Existe em mim uma sensação de que nunca serei amada por que não mereço. Como vou merecer ser amada por um homem se meu próprio pai foi incapaz disso. 
Óbvio que meu lado racional sabe que isso é idiotice, mas vai explicar isso para o meu inconsciente que passou toda a sua formação como mulher sendo pautada por esse "não" amor.
Tenho consciência que estou me desnudando por completo neste momento, mas sei que muitas mulheres sabem do que estou falando...
E o que dizer depois de viver 17 anos com um homem que foi incapaz de me amar também. (Mas eu posso até ouvir meu ego dizendo pra mim: "Você sabia que ele nunca te amaria. Que homem nenhum vai te amar.")
Não quero me fazer de coitada não. Por que isso não me impede de ser feliz, de viver, de fazer amigos, de estudar, de amar meu trabalho, de viajar, de ficar bem em minha própria companhia, de paquerar, de transar, de admitir minhas falhas e elogiar minhas qualidades, de seguir adiante...
É só um lado sombrio com o qual tenho que conviver, que tenho que negociar em alguns momentos, que tento ultrapassar e que com o passar do tempo vai ficando mais claro, mais palpável, o que facilita sua conclusão.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

MULHERES A BEIRA DA DEPRESSÃO



Eu tinha prometido para mim mesma que entraria no blog com mais frequência, tinha em mente que a proposta do blog sempre seria de alegria, discussões inteligentes e muito sexo, a meta era postar pelo menos dois tetos por dia, mas... 
Com o mestrado em andamento, disciplinas para cumprir, textos para ler e escrever...
Com o trabalho e as aulas para montar, pesquisar, estudar e aplicar...
E mais o dia a dia da casa, da família, da vida...
Eu não consegui! 
Não me culpo por isso e sinceramente faço o que posso.
Até consegui realizar um grande sonho e fui para Itália. Doze dias passando por Roma, Florença, Verona, Veneza e Milão. 
Minha intenção era e é escrever sobre essa viagem na página das dicas (aguardem).
Mas... Hoje...
Entrei aqui para falar de depressão. 
Como mesmo com um bom trabalho, estudando em uma das melhores universidades do país e tendo feito uma viagem dos sonhos, me sinto tão triste nos últimos três dias?
É uma sensação de melancolia muito forte, como se estivesse faltando alguma coisa.
Na verdade tenho uma metáfora perfeita para esses momentos da vida. Momentos que eu acredito que todos já vivenciaram.
"É como se estivéssemos boiando sobre um rio lodacento e que qualquer movimento pode nos fazer afundar."
Então vamos fingindo que a vida está ótima, que o trabalho é perfeito, que a relação afetiva é tudo de melhor e vamos nos mantendo na superfície. E basta essa melancolia se aproximar para nos fazer ver que as coisas não são bem assim.
Isso poderia gerar um grau de depressão irreversível, ou ao contrario disso, servir de trampolim para rever as coisas.
O trabalho está ruim, mude pra outro!
Os estudos estão te esgotando, descanse!
O relacionamento esta desgastado, separe!
Ou ainda:
Pense no porque o trabalho esta ruim. Ele não se encaixa mais nas suas expectativas ou você esta se cobrando demais?
Os estudos estão te esgotando porque você não esta encontrando a dinâmica certa ou você perdeu o foco?
O amor acabou ou você parou de investir na relação e se acomodou?
E por ai afora...
Os períodos de depressão não devem ser evitados, mas servir como um período de reflexão para melhorarmos como pessoa.