sábado, 23 de fevereiro de 2013

MULHERES MATERNAIS


Existe um assunto que sempre me incomodou e que sempre tive dificuldade em expor, por que de maneira geral, toda vez que iniciava minha argumentação, algumas mulheres quase me batiam ou contra atacavam com o argumento pronto de eu não estaria apta a dissertar sobre o assunto por não ter filhos. Pois bem, o assunto é justamente esse - a Sacra Santa Posição da Maternidade.
Existe um discurso engessado de que se tornar mãe transforma as mulheres (todas) em criaturas abençoadas; criaturas míticas; acima do bem e do mal; de que ao dar a luz (todas) as mulheres são cobertas por uma aura de super poderes e passam a ser dotadas de uma bondade, generosidade e magnificência quase sobrenaturais e instantaneamente ganham um status acima de todos os mortais.
Sinceramente, duvido muito disso!!!
As mulheres aceitam esses estereótipos para amenizar suas dificuldades na maternidade...você não encontra mulheres admitindo a frustração em não saber o que fazer com o choro de seus pimpolhos; o cansaço em precisar estar disponível 24 horas para aquela criaturazinha; o nervosismo pelas noites mal dormidas, pelo distanciamento do casamento; pelas dificuldades financeiras que aquele serzinho trouxe para a vida e a tristeza por tudo que de repente se tem que abrir mão.
Não me admira a depressão pós parto!!!


Há mulheres em que a tristeza aparece algumas semanas depois do parto e vai ficando cada vez mais intensa a ponto de torná-las incapazes de exercer as mais simples tarefas do dia a dia. Depois elas passam a demonstrar apatia e desinteresse por tudo que as cerca. Esses transtornos de humor, até alguns anos atrás eram considerados apenas traços da personalidade feminina. Mas para explicar essa situação existem os tais "hormônios" que caem vertiginosamente e que podem ser um fator importante no desencadeamento dos transtornos pós-parto. Mas eu tenho uma outra teoria possível.
Talvez, a depressão apareça pela descoberta interna da sua incapacidade de ser mãe e a impossibilidade de voltar atrás. De não estar a altura do título sagrado da maternidade. Você não pode devolver seu filho pra ninguém; não pode desistir de ser mãe depois de ter dado a luz e não pode nem sequer confessar aos outros seu arrependimento, porque todos - ABSOLUTAMENTE TODOS - te criticariam.
Mulheres que decidem não ter filhos são criticadas intensamente por todos; pais (seus e do seu companheiro), amigos (seus e do seu companheiro) e familiares (seus e do seu companheiro). É uma pressão absolutamente cruel; que impossibilita a mulher a decidir livremente sobre seu próprio corpo. Ou seja, está implícito que como mulher a gravidez seja obrigatória.
Então, para se colocar a altura do grande mérito da maternidade, as mulheres engravidam. E aos 2 meses colocam seus "anjinhos" numa creche e vivem o resto da vida com a culpa de ter sido uma mãe ausente.



Ouvi outro dia, na TV, uma mãe aflita com as férias da creche e com sua felicidade em encontrar uma colônia de férias onde poderia "internar" seu filho de apenas 5 anos por todo o período.
E fiquei pensando, em que momento aquela mulher era de fato mãe, em que momento ela mereceria o grande manto azul da maternidade sobre seus ombros... A criança passava o dia todo na creche sendo cuidada pelas professoras, que as educavam sem nenhuma referência cultural da família; nas férias ia para a tal colônia por um mês; o que praticamente inviabiliza contato do filho com sua mãe por quase um ano. Em que momento essa mulher atua seu admirável papel de mãe.
Os filhos estão sendo criados pelas babas, pelas professoras, pelos avós e mesmo assim ninguém questiona o direito de uma mulher em não querer ser mãe.
Biologicamente (todos) os mamíferos reproduzem; isso é natural e não tem nada de mágico, santificado ou extraordinário.
Agora ser uma mãe consciente, presente e responsável é o que faz a diferença entre as espécies.


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